Nova York com crianças – comprando roupas de inverno

O frio nos pegou de surpresa. A temperatura média em Nova York no mês de março ficou em três graus, e o que pegava era o vento congelante. A capa de chuva do carrinho foi fundamental para cortar um pouco o vento.

Bernardo e Maria Júlia foram com poucos casacos, apenas o suficiente para chegar com segurança.

LOJAS QUE MAIS GOSTAMOS: BURLINGTON, UNIQLO E GAP

A Burlington é uma loja de departamento muito barata, na Union Square, ao lado do mercado Whole Food. No sexto andar fica o setor infantil. É tudo separado por tipo de roupa e tamanho. O casaco do Bernardo, tipo uma jaqueta de couro, saiu por 25 dólares. O da Majú era esse preço, mas, no caixa, saiu por OITO DÓLARES.

Uniqlo é um espetáculo, e agora tem em diversos endereços. Sempre tem promoção. Compramos casacões por 20 dólares.

Gap. Tem que ir direto nas promoções. Rsrsrs. Compramos botas para as crianças. Uma por 20 dólares, outra por 30 dólares.

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Penico na sala??? O que está dando certo e o que deu errado no desfralde

O que está dando certo no desfralde:

  • Esperar eles sinalizarem. Um belo dia, Bernardo não quis mais botar fralda. Majú foi na onda
  • Muitas calcinhas/cuecas. Bernardo tem 23 cuecas e Maria Júlia tem 20 calcinhas.
  • Perguntar de vinte em vinte minutos se querem ir ao banheiro. Falo: “pessoal, xixi é no penico. Penico. Eles repetem”
  • Troninho na sala. Isso mesmo, na sala. Percebi que as crianças curtiam o troninho e queriam ir toda hora. Virou uma diversão. Elas tiram cueca/calcinha, sentam, eu pego o compartimento sujo e lavo no banheiro. Em breve o troninho irá para o banheiro e depois será substituído pelo vaso (com adaptador).
  • Botar fralda à noite e quando saímos de casa, explicando a eles que não tem banheiro onde vamos. Obs: mesmo quando já estão de fralda à noite, as crianças pedem para ir ao banheiro, antes de dormirem.

O que não deu muito certo:

  • Adaptador de vaso. Por enquanto não deu certo. Eles querem ter autonomia, e no vaso, mesmo botando um banquinho, eles não conseguem subir e descer com facilidade.
  • Assistir a desenho animado. Quando eles sentam para ver desenho, esquecem de ir ao troninho. Estou deixando eles verem por pouco tempo, e nos intervalos os levo até o penico

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#BêFaz4anos – um ciclo olímpico

Atletas e jornalistas esportivos curtem dividir a vida em ciclos de 4 anos, o intervalo entre uma Olimpíada e outra; ou entre uma Copa do Mundo e outra. E foi assim que, depois dos Jogos de Londres 2012, planejamos a chegada dele.
Calhou de ser dia 21 de julho de 2013, véspera da vinda do Papa Francisco, um domingo de Vasco x Fluminense no Maracanã.

Antes de descermos para a sala de parto, soubemos de um gol. Gol de quem??? Gol do Juninhooo. O jogo terminou 3 a 1 para o Vasco.

Hoje, ao olharmos para trás, só conseguimos nos lembrar de coisas boas daquela noite. O susto, o medo, a uti, a proximidade da cirurgia… Tudo aquilo foi muito pouco diante do que aquele dia de fato significou. Um dia inesquecível. Lindo.

Bernardo é um menino incrível, tem uma energia diferenciada. É inteligente, gaiato. Um conquistador.
E isso não tem absolutamente nada a ver com a síndrome de Down. É dele.

#BêFaz4anos

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Não somos invisíveis

Por Gabi Lomba

Eu me emociono toda vez que vou à CaminhaDown. E este ano mais ainda, pois caminhamos de mãos dadas com as famílias do autismo.

Aquele montão de gente ali, igual a mim. Fico tentando imaginar como foi o momento em que descobriram a deficiência, se tiveram rapidamente acesso a informação e estimulação, se estão precisando de ajuda, etc… Porque todo mundo precisa de ajuda em algum ou alguns momentos, independentemente de condição financeira ou qualquer outra coisa.

E fiquei pensando no quanto nossos filhos às vezes são invisíveis. Quer dizer… No quanto as pessoas fingem que eles não existem, que nós não existimos.

Outro dia eu tive a oportunidade de conhecer Maria Fernanda, uma bebê com microcefalia, neta de uma conhecida. Linda, de óculos rosa, calminha. A microcefalia, até aquele momento, era um pouco invisível para mim. Com Maria Fernanda no colo, pensei: poderia ser minha filha. E passei a amá-la. Ela, Bernardo…. Eles não podem ser invisíveis. Não serão.

É por isso que escrevemos, caminhamos….
Queremos que nossos filhos sejam vistos, e vistos como cidadãos.

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E DAÍ?

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E daí que você só andou aos 2 anos?
E daí que você ainda não constrói frases?
E daí que “só” vai começar a desfraldar agora?
E daí que você é mais baixinho que a maioria das crianças da sua idade?
E daí que você talvez tenha mais dificuldade na escola?
E daí que você muitas vezes não se encaixe no que a sociedade estabeleceu como padrão?
E DAÍ???
Quero que você sempre se orgulhe de ser quem você é, do jeito que você é.
Não é você quem tem que se adaptar.
O mundo é que precisa entender que cada pessoa é de um jeito.
Orgulho enorme.

21 de março, Dia Internacional da síndrome de Down. #oladobe #downsyndrome#sindromededown

Maternal II, aí vai ele!

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Preso à agenda, um papel: “Lista de material – MATERNAL II”
O que isso significa? Bernardo passou de ano!!!

No início de 2016, a coordenadora da escola tinha sugerido manter o Bernardo no Berçário II. Os motivos: ele tinha começado a andar havia pouco tempo e ainda não falava. A coordenadora, na verdade, estava insegura, e por isso entendo a preocupação. Ela tinha como exemplo uma ex-aluna, que avançou em circunstâncias parecidas e depois teve de voltar.

No entanto, a simples comparação, para mim, não poderia determinar a trajetória de Bernardo. Cada pessoa é única.

Eu posso errar muitas vezes e ter de voltar atrás, normal. Mas prefiro errar dando a oportunidade a ele, sem subestimá-lo.

Respaldada pelas opiniões da professora, da fono, da pediatra e do geneticista, insisti para que ele seguisse a turma de acordo com a idade. Deu certo. Bernardo evoluiu muito ao passar para o Maternal I. Muito mesmo. O ano de 2016 acabou e ficou a dúvida. Será que vai para o Maternal II?

Eu já tinha desconfiado de que ele passaria de ano, pois na última reunião de pais, a coordenadora usou nosso Bezoca de exemplo no início do encontro, ao falar de como as crianças se desenvolveram. Lembro que ela disse:

“Bernardo estava começando a andar, agora corre para todo lado, entende todos os comandos”.

Ou seja: o próprio Bernardo mostrou o caminho. O caminho é acreditar, dar oportunidade de a criança aprender.

Professoras (Maternal I e Berçário II), amigos da escola, fono/Padovan, fisio respiratória, professor de natação, pediatra, geneticistas e, claro, família e amigos. Todos fazemos parte dessa história.

Que a próxima professora, assim como todas que passaram pelo nosso caminho até agora, acredite que seus alunos, independentemente de deficiência, são capazes de aprender.

Vamos em frente!