Viajando com criança – nosso manual de sobrevivência

Bernardo e Maria Júlia estão com 3 e 5 anos, respectivamente, e o Canadá foi a terceira viagem que fizemos com os dois juntos. Antes, viajamos com o Bê três vezes.

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Roteiro/duração da viagem

É fundamental ter um roteiro flexível e confortável, mesmo que isso signifique abrir mão de algumas atrações. Imprevistos são mais comuns quando se está com crianças, então é importante ter folgas na programação, principalmente se a viagem é para um lugar frio. E os dias acabam sendo mais curtos… A gente costuma sair de casa às 11h e retorna às 19h, mais ou menos.

Passagens

Crianças até 2 anos não pagam se forem no colo. Quer dizer, pagam apenas as taxas. Algumas companhias disponibilizam assentos na frente, com mais espaço. A Ibéria até botou um bercinho preso à parede do avião, quando Bê tinha 1 ano. Foi bem útil.
A partir de 2 anos, as crianças pagam 70% da passagem.

Hospedagem

Desde que Majú nasceu, optamos por alugar apartamento (usamos AirBnB ). Não só pela facilidade de ter cozinha, mas pela questão de espaço mesmo. Elas gostam/precisam brincar. Seria bem difícil ficar em quarto de hotel.

Refeições

Essa é a parte mais estressante, na minha opinião. Para minimizar problemas, a gente costuma dar café da manhã reforçado em casa. Almoça na rua, entre 13h e 14h30 (é o máximo que as crianças aguentam), lancha na rua e compra um peixe ou carne para jantar em casa.

Ao chegar na cidade, sempre vamos no mercado e compramos arroz, macarrão, ovos, leite e frutas.

Nem sempre é possível achar legumes/verduras nos restaurantes… A gente desencana e prioriza garantir uma proteína e um carboidrato.

Remédios

Leve de casa, não deixe para comprar quando chegar a seu destino. Consulte a pediatra. Aqui em casa levamos:

Remédios de antroposofia (tipo homeopatia)
Abrilar
Decongex
Novalgina e Alivium
Allegra
Hixizine
Soro fisiológico – uma garrafa de 500ml por semana + soro em jato
Aparelho de nebulização

Sempre na bolsa de mão
Fralda (se ainda usar)
Lenço umedecido – muito útil, mesmo se a criança não usar mais fralda
Protetor de assento – uma opção é usar lenço umedecido
Roupas extras – se for inverno, não esqueça luvas e gorros
Um brinquedinho – muito útil, acredite…
Fruta ou biscoito

Carrinho
A viagem ao Canadá foi a primeira que não levamos carrinho. As crianças cansavam muito, tínhamos de carregá-las no colo…baita peso! Por outro lado, o carrinho é um certo trambolho… Tem que avaliar caso a caso…

Desfralde
Se seu filho iniciou o desfralde, é preciso levar muita roupa extra, pois provavelmente vai rolar escape. Bê e Majú estão desfraldados, mas mesmo assim houve duas vezes. Dica: sempre que parar para comer ou beber algo, leve a criança ao banheiro. Sempre, mesmo que ela não queira. Diga que você quer fazer xixi e a leve junto.

Viagens do Bernardo:
Recife, no verão – com 5 meses
Uruguai, no inverno – com 1 ano
Portugal e Espanha, no inverno – com 1 ano e 7 meses (Gabi estava grávida da Majú)

Viagens de Bernardo e Maria Júlia
Argentina, no verão – Bê com 3a7meses, Majú com 3a7meses
Nova York, no inverno – Bê com 4a7meses, Majú com 2a7meses
Toronto, no inverno – Bê com 5a7meses, Majú com 3a7meses

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Duas palavras para deletar

Passando aqui na sua timeline para pedir mais uma vez, com carinho: delete de seu vocabulário as palavras retardado e mongoloide. Não importa o contexto (nem pra se zoar). Não use.
São termos extremamente pejorativos que antigamente eram usados para se referir a pessoas com deficiência.

Ao usá-los, você, sem perceber:

. Está usando uma deficiência como xingamento
. Está comparando uma pessoa sem deficiência a uma com deficiência, dizendo que a pessoa com deficiência é inferior. Não é.

Eu sei que a intenção não é ofender. Eu sei. Mas palavras machucam. Não use. 🤙

O Lado Bê

Nova York com crianças – comprando roupas de inverno

O frio nos pegou de surpresa. A temperatura média em Nova York no mês de março ficou em três graus, e o que pegava era o vento congelante. A capa de chuva do carrinho foi fundamental para cortar um pouco o vento.

Bernardo e Maria Júlia foram com poucos casacos, apenas o suficiente para chegar com segurança.

LOJAS QUE MAIS GOSTAMOS: BURLINGTON, UNIQLO E GAP

A Burlington é uma loja de departamento muito barata, na Union Square, ao lado do mercado Whole Food. No sexto andar fica o setor infantil. É tudo separado por tipo de roupa e tamanho. O casaco do Bernardo, tipo uma jaqueta de couro, saiu por 25 dólares. O da Majú era esse preço, mas, no caixa, saiu por OITO DÓLARES.

Uniqlo é um espetáculo, e agora tem em diversos endereços. Sempre tem promoção. Compramos casacões por 20 dólares.

Gap. Tem que ir direto nas promoções. Rsrsrs. Compramos botas para as crianças. Uma por 20 dólares, outra por 30 dólares.

Penico na sala??? O que está dando certo e o que deu errado no desfralde

O que está dando certo no desfralde:

  • Esperar eles sinalizarem. Um belo dia, Bernardo não quis mais botar fralda. Majú foi na onda
  • Muitas calcinhas/cuecas. Bernardo tem 23 cuecas e Maria Júlia tem 20 calcinhas.
  • Perguntar de vinte em vinte minutos se querem ir ao banheiro. Falo: “pessoal, xixi é no penico. Penico. Eles repetem”
  • Troninho na sala. Isso mesmo, na sala. Percebi que as crianças curtiam o troninho e queriam ir toda hora. Virou uma diversão. Elas tiram cueca/calcinha, sentam, eu pego o compartimento sujo e lavo no banheiro. Em breve o troninho irá para o banheiro e depois será substituído pelo vaso (com adaptador).
  • Botar fralda à noite e quando saímos de casa, explicando a eles que não tem banheiro onde vamos. Obs: mesmo quando já estão de fralda à noite, as crianças pedem para ir ao banheiro, antes de dormirem.

O que não deu muito certo:

  • Adaptador de vaso. Por enquanto não deu certo. Eles querem ter autonomia, e no vaso, mesmo botando um banquinho, eles não conseguem subir e descer com facilidade.
  • Assistir a desenho animado. Quando eles sentam para ver desenho, esquecem de ir ao troninho. Estou deixando eles verem por pouco tempo, e nos intervalos os levo até o penico

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#BêFaz4anos – um ciclo olímpico

Atletas e jornalistas esportivos curtem dividir a vida em ciclos de 4 anos, o intervalo entre uma Olimpíada e outra; ou entre uma Copa do Mundo e outra. E foi assim que, depois dos Jogos de Londres 2012, planejamos a chegada dele.
Calhou de ser dia 21 de julho de 2013, véspera da vinda do Papa Francisco, um domingo de Vasco x Fluminense no Maracanã.

Antes de descermos para a sala de parto, soubemos de um gol. Gol de quem??? Gol do Juninhooo. O jogo terminou 3 a 1 para o Vasco.

Hoje, ao olharmos para trás, só conseguimos nos lembrar de coisas boas daquela noite. O susto, o medo, a uti, a proximidade da cirurgia… Tudo aquilo foi muito pouco diante do que aquele dia de fato significou. Um dia inesquecível. Lindo.

Bernardo é um menino incrível, tem uma energia diferenciada. É inteligente, gaiato. Um conquistador.
E isso não tem absolutamente nada a ver com a síndrome de Down. É dele.

#BêFaz4anos

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Não somos invisíveis

Por Gabi Lomba

Eu me emociono toda vez que vou à CaminhaDown. E este ano mais ainda, pois caminhamos de mãos dadas com as famílias do autismo.

Aquele montão de gente ali, igual a mim. Fico tentando imaginar como foi o momento em que descobriram a deficiência, se tiveram rapidamente acesso a informação e estimulação, se estão precisando de ajuda, etc… Porque todo mundo precisa de ajuda em algum ou alguns momentos, independentemente de condição financeira ou qualquer outra coisa.

E fiquei pensando no quanto nossos filhos às vezes são invisíveis. Quer dizer… No quanto as pessoas fingem que eles não existem, que nós não existimos.

Outro dia eu tive a oportunidade de conhecer Maria Fernanda, uma bebê com microcefalia, neta de uma conhecida. Linda, de óculos rosa, calminha. A microcefalia, até aquele momento, era um pouco invisível para mim. Com Maria Fernanda no colo, pensei: poderia ser minha filha. E passei a amá-la. Ela, Bernardo…. Eles não podem ser invisíveis. Não serão.

É por isso que escrevemos, caminhamos….
Queremos que nossos filhos sejam vistos, e vistos como cidadãos.

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E DAÍ?

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E daí que você só andou aos 2 anos?
E daí que você ainda não constrói frases?
E daí que “só” vai começar a desfraldar agora?
E daí que você é mais baixinho que a maioria das crianças da sua idade?
E daí que você talvez tenha mais dificuldade na escola?
E daí que você muitas vezes não se encaixe no que a sociedade estabeleceu como padrão?
E DAÍ???
Quero que você sempre se orgulhe de ser quem você é, do jeito que você é.
Não é você quem tem que se adaptar.
O mundo é que precisa entender que cada pessoa é de um jeito.
Orgulho enorme.

21 de março, Dia Internacional da síndrome de Down. #oladobe #downsyndrome#sindromededown